Políticas públicas de incentivo aos veículos elétricos, como subsídios e tributação sobre emissão de CO2, podem alavancar a participação da categoria nas vendas de automóveis no Brasil a um quinto do total até 2050 — sem estímulos, é previsto que a fatia seja de 3,8%. É o que mostra o estudo “Big Push para a Mobilidade Sustentável: cenários para acelerar a penetração de veículos elétricos leves no Brasil”, publicado em junho e disponível no link.

O documento foi desenvolvido pelo projeto Big Push para a Mobilidade Sustentável no Brasil, iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) em parceria com o Ministério da Economia (ME), o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), e com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).

Para comparação, o estudo traz três cenários diferentes, com base em experiências internacionais de sucesso. O chamado de cenário de referência não prevê mudanças significativas de incentivo à eletrificação da frota brasileira. Já o cenário alternativo 1 considera que haverá aplicação de subsídios para redução dos custos de aquisição e operação do veículo elétrico no Brasil e ainda tributação de carbono, enquanto o cenário alternativo 2 considera instrumentos como a tributação de veículos à combustão, proporcional à menor eficiência e maior emissão de CO2, enquanto veículos elétricos seriam beneficiados com taxas mais baixas.

Em todos os cenários, o desenvolvimento da infraestrutura de recarga é um fator crucial para a adesão do consumidor à tecnologia no país, com maior suporte financeiro para estações de recarga. O documento mostra que os mecanismos de incentivo podem proporcionar aumento de cerca de 2,2 milhões de veículos elétricos na frota no período avaliado, sendo a política de infraestrutura de recarga responsável por 1,3 milhão do total.

Barreiras

Segundo Camila Gramkow, oficial de Assuntos Econômicos da Cepal, ambos os cenários são capazes de modificar a frota brasileira, mesmo em uma perspectiva pragmática em relação à economia. “Poderíamos pensar em cenários mais agressivos [para o estudo], mas optamos por aqueles que não tivessem impacto no orçamento público. São quadros mais realistas dentro da conjuntura atual, de pouco espaço para o gasto público”, explica.

A principal barreira à difusão dos veículos elétricos, indica a oficial, segue sendo o valor, inacessível por grande parte da população. “O principal entrave é preço, além da falta de infraestrutura. O consumidor não é familiarizado com a tecnologia, que é cara, e ainda há muitas cidades sem infraestrutura de recarga como supercarregadores, que oferecem a possibilidade de carregar mais rapidamente”.

Porém, mais que apenas veículos individuais, a construção de uma mobilidade mais limpa passa pelo transporte coletivo, finaliza Camila: “Ônibus, em termos sociais, tem mais benefícios que o carro. Esse trabalho fortaleceu a importância de investimento em transporte coletivo sustentável, sendo o individual uma política complementar.”

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