Por Guilherme de Castro

“O que o meio ambiente no Brasil tem a ganhar com a mobilidade elétrica” foi o tema do segundo webinário promovido pelo Comitê de Ciência e Tecnologia (CC&T) da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME), realizado na última sexta-feira (28), em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). O encontro, transmitido pelo YouTube, contou com a participação de especialistas que concluíram que a questão ambiental para a eletrificação dos transportes é também social. 


“É crucial falar de transportes quando se trata da questão climática”, apontou Ilan Cuperstein, vice-diretor para a América Latina da Rede C40 Cities Climate Leadership Group. Para o painelista, além do meio ambiente, a eletrificação do transporte deve levar em conta aspectos de saúde pública e financiamento. Neste quesito, Cuperstein apresentou diferentes iniciativas ao redor do mundo, com destaque para o caso chileno, que alterou seu modelo de contratação para o leasing, espécie de aluguel de ônibus elétricos concedido por empresas de energia a operadores de transporte que dissipa o valor do veículo, tornando seu custo mais barato que de veículos à diesel.

Os biocombustíveis foram indicados pelos painelistas como uma alternativa aos veículos à base de combustíveis fósseis. No entanto, “todo motor à combustão polui”, lembra Davi Martins, líder de projetos no Greenpeace. “O biocombustível pode ser uma alternativa mais imediata, que ajude na transição energética. Ainda assim, não são uma solução”, completou.

Nesse sentido, Amanda Ohara, coordenadora técnica do Instituto E+ Transição Energética, apontou que “a matriz energética brasileira é muito diversa e abundante, portanto, existem várias possibilidades, e temos sim como suprir a demanda da mobilidade elétrica de maneira sustentável”. “Em 2018, a CPFL fez um estudo do impacto da introdução da mobilidade elétrica no setor elétrico, de cerca de 20 milhões de veículos, o que resultaria em um aumento de 0,5% a 1% no consumo de energia. Ou seja, o impacto na geração é muito pequena.”  

A questão da justiça ambiental na eletrificação do transporte também foi um dos destaques do debate. De acordo com Kelly Fernandes, analista do Programa de Mobilidade Urbana do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e colunista do portal UOL, “o ônus da inovação não pode ser repassado à sociedade”, lembrando a diferença na qualidade de vida entre pessoas que vivem em diferentes regiões de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. “A população periférica está mais exposta às emissões (de gases de efeito estufa) quando, por exemplo, passa mais tempo no deslocamento ao trabalho.”

Os próximos webinários da série de quatro que está sendo realizada pela PNME, em parceria com a Fundep, ocorrem em setembro e outubro, abordando os setores de economia e inovação, respectivamente. 

TÓPICOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *