Na última quinta-feira, 29, o Comitê de Ciência & Tecnologia (CC&T) da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME) promoveu um webinário para discutir os desafios e reais custos de oportunidade da mobilidade elétrica para o Brasil. No evento virtual, realizado em parceria com a Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa), quatro especialistas debateram como tema central a importância da mobilidade elétrica para a economia brasileira.


No início do encontro, algumas apresentações individuais deram o tom do debate. Ricardo Zomer, analista de comércio exterior do Ministério da Economia, comentou sobre a importância de enxergamos a mobilidade elétrica não como uma tendência, mas sim como uma realidade. “O Brasil possui uma série de peculiaridades que devem ser levadas em conta. A mobilidade elétrica é uma tecnologia superior no quesito eficiência energética, mas que casa muito bem com outras energias que já existem no país”, afirmou.

Para endossar este argumento, a gerente de mobilidade urbana do WRI Brasil, Cristina Albuquerque, trouxe um estudo recente que demonstra como as questões ambientais geram grandes impactos econômicos. “Os resultados indicam que as práticas sustentáveis e de baixo carbono podem gerar um crescimento significativo do PIB, com ganho total acumulado de R$ 2,8 trilhões até 2030 em relação à trajetória atual”, comentou. A escolha dessas medidas, segundo a pesquisa, levaria a um aumento líquido de mais de 2 milhões de empregos na economia brasileira em 2030 e com benefícios já desde o primeiro ano.

Outro ponto discutido foi a questão de gerir melhor os modelos de negócio para, de fato, tornar a mobilidade elétrica uma realidade. Luiz Fernando Krieger, da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), apresentou uma comparação com países vizinhos da América Latina e deu como exemplo o Chile. “Em Santiago, o leasing dos ônibus convencionais tem custo operacional de 70% a menos na economia do país, uma diferença total de economia de 20%. É necessário pensarmos não apenas como produzir, mas também no modelo de negócio que permite colocar a mobilidade elétrica na rua”, afirmou.

Neste sentido, Zomer justificou os motivos pelos quais o Ministério da Economia adota uma política de etapas. Segundo ele, se o Brasil não abrir o mercado num momento inicial não haverá estímulo para empresas investirem no país. “A discussão de tomada de decisão de investimentos ocorre fora. Se não temos o mercado consolidado, é difícil quem está fora decidir investir no Brasil”, explicou. “Assim, a política é vista como três estágios: primeiro pela flexibilização das dificuldades de acesso para as tecnologias no país, ou seja, a população deve começar a compreender a tecnologia; em seguida a migração de flexibilizar a entrada dos componentes e por fim, a indústria consolidada”, complementou.

Os especialistas discutiram ainda sobre a necessidade de se pensar algumas questões complexas como os aspectos fiscais, mas reforçaram a necessidade de o setor partir para algumas ações com menos necessidade de recursos que sejam possíveis de avançar. Wagner Setti, especialista em Relações Institucionais e Governamentais do Grupo WEG, reforçou a questão do transporte coletivo como um importante ponto de partida, além de se pensar em modelos de negócio diferentes, para além de tarifas e subsídios.

Esse foi o último webinário de uma série de quatro encontros realizada pela PNME em parceria com a Fundep. No próximo mês, entre os dias 16 a 19, ocorrerá a 1ª Conferência da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica, também em formato virtual com diversos temas e convidados.

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