Na última terça-feira, 27, a Comissão de Ciência & Tecnologia (CC&T) da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME) promoveu um webinário para discutir os desafios e oportunidades que a mobilidade elétrica traz para o ambiente de inovação no Brasil. No evento virtual, realizado em parceria com a Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa), quatro especialistas debateram as capacidades que devem ser fomentadas e os caminhos possíveis que a mobilidade elétrica pode proporcionar para um melhor ambiente de inovação no país.


A moderadora e gerente de Negócios e Parcerias da Fundep, Janayna Bhering, trouxe dados recentes sobre o mercado de veículos elétricos, os quais colocam China e Estados Unidos como países que detém a maior participação mundial, enquanto o Brasil desponta como um grande importador da tecnologia. Para iniciar o debate, ela questionou como a indústria brasileira pode se posicionar frente a esse cenário.

Para o engenheiro e doutor em Engenharia Elétrica Wanderlei Marinho, a resposta é pensar no ecossistema como um todo e na capacidade de inovar. “Não temos montadoras nacionais, todas são transnacionais. Nós forcemos mão de obra e temos que continuar suprindo essa mão de obra qualificada. Tudo que pensamos em dar como solução, é fruto da inovação”, afirmou.

Já para Fernando Campagnoli, pesquisador da UFRJ em economia da inovação, o Brasil possui pacotes de serviço e cadeias produtivas que começam desde os minerais estratégicos até o consumidor da ponta. “As mudanças de hábitos fazem com que consumidor se ‘empodere’ para ter um papel ativo. Quando o veículo elétrico entra em cena, o consumidor se torna gestor da energia que consome, podendo armazená-la dentro do carro e da sua própria casa. Essa é uma combinação que muda a cadeia produtiva e o consumidor também muda, ele passa a absorver mais tecnologia”, explica.

O encontrou trouxe ainda discussões sobre a necessidade de desenvolver uma política e consolidar um plano nacional de mobilidade elétrica no país. “Para termos este plano maior, temos que ter acima dele uma política nacional de mobilidade elétrica. É preciso operacionalizar em rede e pensar de que maneira cada setor pode contribuir. As agências reguladoras, por exemplo, devem sentar na mesma mesa para construir um plano factível”, argumentou Campagnoli.

Sobre a importância de estruturar este plano nacional de mobilidade elétrica, a professora e doutora Flávia Consoni, da Unicamp, apontou a necessidade de aprendermos com os países vizinhos da América Latina, que já possuem um plano consolidado e uma crescente inclinação para eletrificação de transporte público. “Atualmente há 450 ônibus elétricos no Chile e espera-se 800 até o final do ano. Ocorre que o Brasil sempre foi exportador de ônibus para América Latina. Temos que ver essas tendências e acompanhar mais de perto esses movimentos”, afirmou.

Esse foi o terceiro webinário de uma série de quatro que está sendo realizada pela PNME em parceria com a Fundep. No próximo dia 29, o encontro vai abordar o setor de economia e discutirá os desafios e reais custos de oportunidade da mobilidade elétrica para o Brasil (informações aqui).

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