Por Guilherme de Castro

O Comitê de Ciência & Tecnologia (CC&T) da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME) promoveu, na última quarta-feira (26), um webinário com o tema “Como a mobilidade elétrica pode contribuir para a sua saúde?”. No evento virtual, realizado em parceria com a Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa), quatro especialistas debateram os benefícios da eletrificação do transporte, de levíssimos a pesados, na saúde da população.

Diretor executivo da Vital Strategies Brasil, Pedro de Paula aponta que os estudos dos benefícios da mobilidade elétrica na saúde pública são “gritantes”. É urgente o debate sobre eletrificação, mudança de modos de transporte, etc. voltado para a saúde, e a pandemia trouxe esse ponto novamente para o centro do debate”, afirma. 


O debate mostrou estatísticas e exemplos de como a eletrificação do transporte pode ajudar, dentre outros fatores, no combate à obesidade, na mitigação de ruídos urbanos, na redução de emissões de partículas e de gases de efeito estufa, consequentemente reduzindo a propensão a doenças respiratórias na população das grandes cidades. 

Um ponto levantado pela médica e diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag, é a atenção trazida para o urgente combate de doenças respiratórias no contexto atual da pandemia de Covid-19, que agravam os casos de contágio pelo vírus. “A mobilidade elétrica é fundamental diante da pandemia. Existem várias opções de modos de transporte, o que democratiza as escolhas. O impacto nas cidades é substancial”, completa.

A esse potencial, contudo, impõem-se desafios. Um dos entraves identificados pelo grupo é a adoção da agenda pelo poder público. No entanto, é possível incidir positivamente “ao longo do tempo e com diálogo”, afirma Victor Andrade, coordenador do Labmob (Laboratório de Mobilidade Sustentável) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A diretora executiva do International Council on Clean Transportation (ICCT) Brasil, Carmen Araújo, lembrou ainda que a adoção da mobilidade elétrica não é somente uma questão de poder público ou investimento. “É também do comportamento das pessoas que vão, por exemplo, de carro à padaria, quando poderiam ir andando. Nós nos acostumamos com a poluição do ar.” Para Pedro de Paula, “é possível, nesse sentido, fazer políticas públicas de incentivo para a mudança comportamental”.

Esse foi o primeiro webinário de uma série de quatro que está sendo realizada pela PNME em parceria com a Fundep. No dia 28, o tema foi mobilidade elétrica e meio ambiente. Na sequência, os próximos ocorrem em setembro e outubro, abordando os setores de economia e inovação.

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